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  • Vagley Harry

Demanda contratada: o que é, e como evitar a ultrapassagem - Você precisa conhecer

Atualizado: 27 de fev.


Hoje existem diversos elementos dentro de uma conta de energia. Além da complexidade dos encargos e impostos (confira nesse post: Conta de Luz), os termos usados para definir a parcela referente à energia podem tirar algumas pessoas da zona de conforto.

Para aqueles que estão buscando realmente entender uma conta de energia do Grupo A com mais profundidade, o primeiro passo é saber diferenciar Consumo e Demanda (para saber mais, clique aqui) para depois entendermos o que é demanda contratada.

Nesse post vamos focar na parcela da conta de energia que se refere à Demanda, um termo importante para consumidores de Média/Alta Tensão que constituem o Grupo A de tarifação.

São esses consumidores que têm de dimensionar seu volume de Demanda e comunicar sua distribuidora, aumentando a complexidade de contratação de energia quando comparado com clientes do Grupo B (residências, comércios e outras instalações de baixa tensão), esta é a chamada Demanda Contratada.

O valor da Demanda Contratada é basicamente um acordo e é importante para que o sistema elétrico esteja preparado para atender toda a carga nacional.

O sistema elétrico é composto de diversas ligações e tem de estar dimensionado e preparado para atender as cargas que estão conectadas a ele, ou seja, quando falamos da demanda, estamos falando na demanda de potência em kW/MW que uma empresa necessita.

A Demanda Contratada é o valor de potência acordado entre a empresa e sua distribuidora de energia sobre a quantidade de carga que a empresa pretende usar do sistema, em kW ou MW. 

Como calcular a demanda contratada


Se avaliarmos isso pela maneira mais simplista, basta você somar a potência de todos os equipamentos, máquinas, sistemas (iluminação, ar condicionado, etc), que possui dentro de sua empresa que terá a carga máxima que ela pode demandar.

Após conhecer o valor de quanto suas cargas irão demandar em um momento produtivo (em que a empresa funciona a plena carga), um contrato próximo daquele valor é firmado com a distribuidora para que duas coisas aconteçam:

  • A distribuidora tenha a obrigação de lhe disponibilizar continuamente a potência necessária para que seu processo ocorra e;

  • Faz com que sua empresa se atenha ao valor contratado não sobrecarregando assim o sistema elétrico.

Ultrapassagem na Demanda Contratada = multas


Uma diferenciação interessante é que quando falamos de consumo, paga-se pela parcela utilizada de energia, ou seja, preço do kWh/MWh consumido.

Já a demanda é faturada de outra maneira, a empresa tem a obrigação de pagar pelo valor contratado, mesmo se não o utilizar.

É semelhante a um plano pré pago de telefone, quando o mês inicia, o valor base à ser pago já está definido e só será alterado caso você exceda seus valores e pague multas, essa é a famosa parcela, chamada de Demanda de Ultrapassagem, e lógico, ela é muito mais cara do que o valor da Demanda Contratada.

Se a empresa demandar mais do que o contratado, multas serão cobradas. Essa é a prática da multa por ultrapassagem de demanda contratada, muitas pessoas se referem ao fato também como estouro de demanda ou multa de demanda.

A empresa consumidora ainda possui uma margem de tolerância caso ultrapasse o valor da demanda contratada. A margem atualmente é de 5% para todas as empresas do Grupo A.

Se você está aplicando isso na sua empresa, um elemento importante é saber qual o modelo tarifário que a empresa está inserida, no caso, se Horosazonal Verde ou Azul.

A grande diferença é que na tarifação azul, existem valores diferentes para Demanda em horário de ponta e fora de ponta (que variam para cada distribuidora), podendo então aumentar a complexidade da sua análise.


E o que fazer para otimizar?


Agora você entendeu essa parcela da conta e quer saber como que isso pode te ajudar no dia a dia da sua empresa que opera em Média/Alta tensão.

A demanda máxima da empresa pode ser a demanda contratada que se acorda com a distribuidora de energia, mas a verdade é que o funcionamento de cada empresa é diferente e o objetivo de todas elas deve ser buscar um sistema eficiente, economizando recursos sempre que possível.

O primeiro passo é entender o regime atual e histórico de funcionamento e tarifação da empresa. Comece levantando as faturas de energia dos últimos 12 ou até 24 meses.

Tente não se apegar nesse primeiro momento aos valores finais ou consumo total dessas contas e sim avalie as parcelas de Demanda que estão presentes ali.

Você pode rapidamente identificar se a empresa opera no regime Azul ou Verde, isso vai estar no cabeçalho. Em seguida, organize e anote em algum lugar de fácil processamento (uma planilha do excel, por exemplo), as demandas contratadas de cada mês e as demandas medidas de cada mês.

Aqui você pode perceber facilmente a diferença entre esses valores:

  • Valores de demanda contratada muito acima das demandas que realmente são utilizadas: valor está superdimensionado e pode ser reduzido, resultando em economias diretas e rápidas.

  • Valores de demanda contratada estiverem sendo ultrapassados: você vai encontrar facilmente a quantidade excedente e os valores de multas que estão sendo pagas pela empresa.

Só de realizar uma análise do gênero, que é bastante simples e pode ser feita por pessoas não técnicas, o problema já pode ser identificado.

Lógico, tenha cuidado se for fazer a alteração de sua demanda contratada, às vezes empresas fazem a mudança sem se atentar às variações sazonais que sofrem e acabam cometendo um erro que pode custar caro.

Você pode levantar informações na internet e tomar uma decisão sozinho, pode buscar um consultor independente, uma empresa de engenharia ou qualquer outra ajuda de especialistas. O interessante é que quanto mais informações levantar, melhor poderá ficar seu dimensionamento e, portanto, a sua conta.

É possível realizar o dimensionamento apenas com informações que uma visita técnica pode prover. Outras empresas podem fazer um trabalho de readequação à partir de dados reais de monitoramento, é o que fazemos aqui na Volt Steel quando nos pedem, por exemplo.

Instalando um Analisador de energia e nossos clientes, podemos diminuir o número de elementos que temos que “assumir” ou “chutar” e nos apoiamos em informações coletadas. Isso nos ajuda a entender melhor o perfil do cliente a cada 15 min, ou a cada hora, ou a cada dia, ou a cada mês e assim por diante.


Exemplo de um caso prático!


Para não ficar algo muito imaterial, eu explico com um exemplo:

Temos um cliente que é uma indústria de médio porte com uma demanda contratada de 200 kW. Quando analisamos suas faturas de energia, os valores de demanda atingida estavam bastante próximos do valor contratado.

Sua média era de 185 – 190 kW em um mês, então se avaliarmos apenas as faturas de energia, tudo está perfeito.

No segundo mês com esse cliente, nosso sistema indicou que na realidade o cliente só passava 1,5% do tempo mensal com essa demanda de 185 – 190 kW, enquanto os 98,5% restantes ele demandava no máximo 140 kW.

Ou seja, das 720 horas de um mês, nosso cliente atingia sua demanda máxima por apenas 10 horas.

Usando o sistema de monitoramento já instalado (o mesmo que já identificou essa oportunidade) pudemos identificar quais setores da fábrica eram responsáveis por esses momentos e com apenas mudanças de processos, sem custos extras, conseguimos que a empresa passasse a ter uma demanda contratada de 150 kW.

Foram anos pagando uma demanda contratada mal dimensionada por conta da falta de informação. Isso é um caso muito comum.


Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Entre em contato com nossa equipe!

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